skip to main content

Autocoleta cervicovaginal no rastreamento do câncer do colo do útero: aceitabilidade, detecção de Papilomavírus Humano de alto risco oncogênico e pesquisa de biomarcadores

Lorenzi, Noely Paula Cristina

Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP; Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina 2019-09-16

Acesso online. A biblioteca também possui exemplares impressos.

  • Título:
    Autocoleta cervicovaginal no rastreamento do câncer do colo do útero: aceitabilidade, detecção de Papilomavírus Humano de alto risco oncogênico e pesquisa de biomarcadores
  • Autor: Lorenzi, Noely Paula Cristina
  • Orientador: Júnior, José Maria Soares
  • Assuntos: Neoplasias Uterinas; Aceitabilidade; Alfa-Manosidase; Superóxido Dismutase; Antígeno Ki-67; Autocoleta; Inibidor P16 De Quinase Dependente De Ciclina; Colo Do Útero; Papilomavírus Humano; Self-Collection; Superoxide Dismutase; Acceptability; Ki-67 Antigen; Human Papillomavirus; Cyclin-Dependent Kinase Inhibitor P16; Cervix Uteri; Alpha-Mannosidase; Uterine Neoplasms
  • Notas: Tese (Doutorado) - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
    Tese (Doutorado)
  • Descrição: Introdução: o câncer cervical uterino (cc) é, ainda, sério problema de saúde pública em países em desenvolvimento, sendo uma das principais causas de morte em mulheres adultas no Brasil. Apesar da inquestionável contribuição do exame citológico de Papanicolaou na redução do cc, este tem grande variação na sua sensibilidade e especificidade na detecção de lesões neoplásicas cervicais, além de muitas mulheres não terem acesso ao sistema de saúde para a realização deste exame, principalmente em regiões menos desenvolvidas em nosso país. O estabelecimento do HPV como agente etiológico do cc permitiu novas formas de rastreamento, cujo alvo é o material genético do HPV, especificamente os de alto risco oncogênico (HrHPV). Muitos estudos demostraram bom custo-efetividade dos testes para detecção do DNA do HrHPV com a vantagem de poderem ser realizados com material colhido pela própria mulher, denominando-se autocoleta. O teste identifica o vírus, mas não a lesão precursora ou mesmo o câncer, podendo levar a aumento de exames desnecessários, devido à alta prevalência e transitoriedade da infecção pelo HPV. A utilização de biomarcadores pode constituir valioso auxílio na acurácia dos testes de rastreamento. As proteínas E6 e E7 dos HrHPV promovem a degradação das proteínas supressoras de tumor p53 e pRb, respectivamente, podendo resultar na exacerbação da proteína inibitória p16 ink4a e proteína Ki-67, cuja detecção simultânea sugere um sinal de desregulação celular, ou mesmo, progressão da lesão induzida pelo HPV; uma das principais enzimas antioxidantes, a superóxido dismutase de manganês (SOD2), também, apresenta expressão aumentada em vários tumores associados ao HPV; outra enzima, a alfa-manosidase pode ter seu papel na progressão de tumores associados ao HPV por possível ação na modulação de respostas inflamatórias nos tumores. Assim, a combinação de todos poderia auxiliar na identificação de mulheres sob risco do cc em regiões remotas do nosso país. Objetivos: o estudo visa avaliar: 1) a aceitabilidade da autocoleta; 2) o resultado da citologia em meio líquido (LBC) do grupo autocoleta (AC) versus grupo profissional de saúde (PS), com relação ao diagnóstico anatomopatológico (AP); 3) o resultado da pesquisa de HrHPV realizado pelo grupo AC versus grupo PS; 4) o resultado da pesquisa do biomarcador p16/Ki-67 colhido pelo grupo AC versus grupo PS com relação ao diagnóstico AP; 5) os resultados da pesquisa dos biomarcadores alfa-manosidase e SOD2 colhidos pelo grupo AC versus grupo PS com relação ao diagnóstico AP. Métodos: estudo prospectivo e transversal envolveu 232 participantes divididas em dois grupos, PS e AC, com alteração citológica e indicação de colposcopia. Foram atendidas nos ambulatórios de Ginecologia, da Disciplina de Ginecologia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia, Hospital Universitário e Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Registrou-se história clínica e coleta de dados sociodemográficos. Coletou-se material para a execução de LBC, detecção de HrHPV (COBAS 4800®) e pesquisa de biomarcadores por imunocitoquímica: p16/Ki-67 (CINtec PLUS®cytology), alfa-manosidase e SOD2 pelos grupos grupos AC e PS. O padrão-ouro para avaliação da sensibilidade e especificidade foi o resultado AP. O procedimento de autocoleta foi realizado, utilizando-se a escova EvalynBrush®(Rovers®), após orientação verbal e de folheto ilustrativo. Estas participantes foram divididas em três faixas etárias (<=29, 30-49, >=50) e convidadas, após o procedimento, a responder questionário de aceitabilidade da autocoleta. Resultados: A maior parte, 76,7%, das mulheres declararam sua preferência pela AC, 12,9% preferiram coleta pelo PS e 10,3% referiram indiferença ao método na avaliação da aceitabilidade do AC. Os principais motivos pela AC foram: praticidade (todas as faixas etárias), menos constrangimento (=50 anos), poder colher em casa/laboratório/UBS (30-49 anos). A maioria não se sentiu embaraçada, e houve efeito de menor medo e desconforto, na coleta, conforme a idade aumentava. A detecção de HrHPV em NIC 2+ no grupo AC foi 94,1%(HPV16: 37,7%, HPV-outros tipos: 36%, coinfecção: 18%) e no grupo PS foi 93,7%( HPV-outros tipos: 43,9%, HPV16: 34,7%, coinfecção: 12,2%). Os resultados da análise da LBC foram: citologia AGM associada a NIC 2+, grupos PS, 83,8% x AC, 82,3%. Citologia BGM associada a NIC 2+ teve os seguintes valores para PS e AC: 50,0% e 67,9% respectivamente; citologia NILM associada a NIC 2+ mostrou os seguintes valores para PS e AC: 33,3% e 62,5%, respectivamente. Análise dos biomarcadores mostrou sensibilidade de p16/Ki-67 nos grupos PS e AC de 84,4% e 70,6%, respectivamente. A alfa-manosidase apresentou sensibilidade para os grupos PS e AC de 50,0% e 42,1%, e SOD2, 56,4% e 33,7%, respectivamente. As especificidades das reações p16/Ki-67, alfa-manosidase e SOD2 no grupo PS foram, respectivamente, 59,2%, 69,2% e 67,7%. No grupo AC, os valores para os mesmos testes foram: 85,7%, 85,7% e 75,0%, respectivamente. A acurácia, no escore final, do p16/Ki-67 foi de 80,7% no grupo PS e de 74,7% no grupo AC. Conclusões: Autocoleta cervicovaginal teve boa aceitabilidade nas mulheres referenciadas para exame colposcópico em hospitais universitários de atendimento secundário e terciário à saúde. A LBC teve forte associação nas categorias \"alto grau de malignidade\" citológica e NIC 2+ para ambos os grupos, PS e AC. Associação fraca foi observada entre as categorias \"negativo para lesão intraepitelial ou malignidade\" citológica e NIC 2+, com menor desempenho no grupo AC em comparação com o grupo PS. A detecção de HrHPV em amostras AC e amostras coletadas pelo PS apresentaram semelhante sensibilidade e especificidade para detecção de NIC 2+, mostrando a não inferioridade do desempenho clínico para detecção de HrHPV da AC versus coleta pelo PS. O biomarcador p16/Ki-67 apresentou bom desempenho, com maiores índices de positividade em NIC 2+ e maiores índices de negatividade em NLP e NIC 1, em ambos os grupos, com associação mais nítida no grupo PS. Os biomarcadores SOD2 e alfa-manosidase tiveram expressão crescente, conforme gravidade de lesão cervical. A expressão foi maior no grupo PS em comparação ao grupo AC com relação ao SOD2, contrariamente a alfa-manosidase, que foi maior no grupo AC. A combinação dos biomarcadores apresentou boa acurácia na predição de NIC 2+ em ambos os grupos sem diferença estatística entre eles. Portanto, a autocoleta apresentou boa aceitabilidade e, associada a biomarcadores, boa acurácia para detecção de mulheres sob risco do câncer do colo do útero
  • DOI: 10.11606/T.5.2020.tde-09012020-163231
  • Editor: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP; Universidade de São Paulo; Faculdade de Medicina
  • Data de publicação: 2019-09-16
  • Formato: Adobe PDF
  • Idioma: Português

Buscando em bases de dados remotas. Favor aguardar.