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A equivocidade do foco narrativo em O som ao redor: um exercício de crítica cultural

Soster, Vitor

Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP; Universidade de São Paulo; Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas 2017-09-29

Acesso online. A biblioteca também possui exemplares impressos.

  • Título:
    A equivocidade do foco narrativo em O som ao redor: um exercício de crítica cultural
  • Autor: Soster, Vitor
  • Orientador: Cevasco, Maria Elisa Burgos Pereira da Silva
  • Assuntos: Cinema; Espaço; Foco Narrativo; Narrativa; Tempo; Práxis; Cinema; Space; Praxis; Point Of View; Narrative; Time
  • Notas: Dissertação (Mestrado)
  • Notas Locais: Versão corrigida
  • Descrição: O exercício de crítica cultural aqui empreendido busca refletir sobre a contemporaneidade a partir da análise e interpretação do longa-metragem O som ao redor (2012) de Kleber Mendonça Filho. A fim de chegar a uma compreensão do que sua forma diz sobre o momento presente, realizamos uma investigação sobre o filme a partir das contribuições de diferentes disciplinas e também de abordagens analíticas da imprensa e da academia. A começar pelo estudo da forma narrativa, propomos definições para noções como autor, autor implícito, narrador, ponto de vista e foco narrativo. Essas noções se mostram úteis no desenvolvimento da análise com relação ao que entendemos como sendo o foco narrativo, uma relação de significação entre as instâncias da emissão e da recepção de uma narrativa. A focalização, assim compreendida, permitiu a identificação da produção de quatro espacialidades na trama da narrativa fílmica: (a) o espaço doméstico contemporâneo e as práticas de consumo, marcados pelo desejo e pelo medo; (b) o espaço de poder do homem cordial contemporâneo; (c) o espaço da propriedade e da auto-atribuição ambígua de um espaço de representação; e, por fim, (d) o espaço da subalternidade. Esses espaços, por sua vez, são articulados por meio de uma prática temporal contraditória, estabelecida entre passado e futuro, que mantém o presente em estado de suspensão crônica. Observa-se, nos termos de Jameson (2002 [1981]), o inconsciente político dessa narrativa: o reconhecimento do papel da classe média na manutenção de relações de mando arcaicas, lugar que o próprio narrador simula assumir e ao qual, por vezes, corre o risco de assimilar-se. Desse modo, a miragem da classe média quanto ao autocontrole econômico e simbólico e seu horror à expropriação e aos despossuídos continuam a contribuir para manter as desigualdades e injustiças sociais do país. Como forma de conclusão, indica-se, na leitura do filme, a possibilidade de entendimento do passado como uma simples permanência caso se veja o tempo (e a história) apenas como continuidade. Inversamente, se a dimensão temporal for compreendida como sujeita a simultaneidades, aberta, portanto, à equivocidade, possibilidades de futuro podem emergir, configurando-se uma outra leitura. Nesse sentido, práticas do passado no presente, sujeitas à continuidade e à transformação, dão a dimensão da importância das práticas presentes, já que, estas, antecipam, desde já, práticas futuras.
  • DOI: 10.11606/D.8.2018.tde-02052018-180234
  • Editor: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP; Universidade de São Paulo; Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
  • Data de publicação: 2017-09-29
  • Formato: Adobe PDF
  • Idioma: Português

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